Portal Vinícius Soares

Compartilhe

Veja como o tarifaço de Trump pode afetar a economia de Marabá

De acordo com a Fiepa, a mudança tarifária gera incertezas no ambiente econômico, com possíveis consequências para a atividade industrial, a geração de empregos e de renda no Estado. A entidade destaca que estados exportadores e importadores, como o Pará, podem ser particularmente afetados

A tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo governo dos Estados Unidos sob a gestão do presidente Donald Trump, deve impactar diretamente a economia de Marabá, no sudeste do Pará. A medida, que entra em vigor a partir de 1º de agosto, afeta sobretudo o setor mineral — com destaque para o minério de ferro, principal produto de exportação da região.

Segundo o economista Mário Tito Almeida, os efeitos são setoriais e atingem com maior intensidade municípios com forte base mineral exportadora. “Impactará mais especificamente Marabá e Barcarena, que são grandes polos produtores. O impacto geral na economia brasileira é menor, já que apenas 10% do comércio exterior é com os EUA, mas localmente, o reflexo pode ser relevante no setor de mineração”, avaliou.

Marabá abriga um dos maiores polos de produção de ferro gusa do país e está integrada ao corredor logístico que leva minério até o porto de Vila do Conde, em Barcarena. Com a nova taxação, os produtos locais vendidos aos Estados Unidos perderão competitividade, o que pode levar à redução da produção, suspensão de contratos e demissões no setor industrial da cidade.

A Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) também se manifestou por meio de nota, afirmando que a decisão do governo norte-americano “traz incertezas significativas para o ambiente econômico”, especialmente em estados como o Pará, onde as exportações aos EUA desempenham papel importante na atividade industrial e geração de empregos. Em 2023, o setor mineral respondeu por cerca de 84% das exportações paraenses, totalizando mais de US$ 12,9 bilhões, com participação expressiva de Marabá.

Apesar da gravidade da medida, Mário Tito pondera que o cenário não é irreversível. Ele destaca que o país ainda tem margem de negociação e que parte dos analistas acredita em um possível recuo por parte dos Estados Unidos. Caso contrário, a alternativa será buscar redirecionamento da produção para mercados como China, União Europeia e outros membros dos BRICS, embora com desafios logísticos e operacionais. (Portal Vinícius Soares, com Diário do Pará)

COMPARTILHE