DA REDAÇÃO — A Polícia Civil cumpriu, na tarde desta quinta-feira (28), mandado de busca e apreensão na residência de Atoniel Sousa dos Santos, conhecido como “Vagabundos e Pilantras da Internet”, apoiador do prefeito de Marabá, Toni Cunha Sá (PL). A medida foi autorizada pela juíza Alessandra Rocha da Silva Souza, no curso de investigação que apura o crime de ameaça contra vereadores da Câmara Municipal de Marabá.
O procedimento teve início após o presidente do Poder Legislativo, vereador Ilker Moraes Ferreira (MDB), apresentar representação formal relatando a divulgação de áudios atribuídos a Atoniel, nos quais ele direciona ameaças a parlamentares.
Em um dos trechos, o investigado afirma: “Eu tô de ponto quarenta na cintura e acabou. Pode vir de lá pra cá, vem fervendo que eu tô queimando […], eu tô só esperando vereadores lá dentro […], se vir de lá pra cá e eu sobreviver, eu vou dentro da Câmara. Aí não vai prestar. Eu vou no gabinete dos vereadores tudinho […].”
A Justiça entendeu que as falas configuram risco concreto à integridade física de vereadores no exercício do mandato, especialmente pela referência direta a uma arma de fogo. O Ministério Público também se manifestou favorável ao pedido da autoridade policial, destacando a necessidade de apreensão de dispositivos eletrônicos que possam conter novas provas dos delitos.
A operação ocorreu por volta do meio-dia, no imóvel situado na Rua Monte Alegre, sem número, no Núcleo Cidade Nova. Foram apreendidos quatro aparelhos celulares: um Samsung Galaxy A10S, um Samsung Galaxy A32, um Redmi modelo M2003J15SS e outro sem identificação, com lateral rosé e capa verde. O material foi encaminhado à 21ª Seccional de Polícia Civil de Marabá.
Durante a diligência na residência do suspeito, a polícia não encontrou armas de fogo nem documentos físicos relacionados às ameaças objeto da investigação, à autoria dos áudios e à atividade do investigado em redes sociais.
Em interrogatório realizado na fase investigativa, Atoniel admitiu ter gravado e divulgado os áudios, mas afirmou que a menção à arma seria apenas uma “figura de linguagem para se proteger”. A versão foi considerada contraditória pela polícia, que apontou a possibilidade de o investigado ter efetivo acesso a armamento. Os aparelhos apreendidos passarão por perícia e as investigações prosseguem para instruir o inquérito policial. (Portal Vinícius Soares)