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Como a Margem Equatorial pode impulsionar o desenvolvimento sustentável do Pará

A convergência entre políticas de conteúdo local, inovação tecnológica e qualificação de mão de obra oferece ao Pará um caminho promissor para transformar os ganhos da exploração petrolífera em desenvolvimento sustentável

Dr. Renato Ewerton de Melo (*)

A exploração de petróleo na margem equatorial da Amazônia surge como uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento econômico do Pará e de toda a região Norte. No entanto, essa iniciativa exige um compromisso inédito com a responsabilidade ambiental, garantindo que o progresso econômico esteja alinhado à preservação do meio ambiente. O Brasil não pode desperdiçar essa chance, mas deve aproveitá-la com soluções inovadoras e práticas sustentáveis que demonstrem ao mundo a capacidade de unir desenvolvimento e proteção ambiental.

Nessa coluna vamos passear pelo Estado do Pará e tomar a liberdade de conectar iniciativas locais com a possibilidade de exploração de petróleo na margem equatorial.

Você perceberá o quanto o nosso estado é rico e se for desenvolvido com planejamento, poderá ser exemplo mundial ao aliar desenvolvimento sustentável com exploração de petróleo conectando hubs que interligam os modais de avanço da economia.

O Complexo Portuário de Barcarena, para começarmos, já é um dos maiores polos logísticos da Amazônia, movimentando minérios, grãos e combustíveis. Com investimentos na modernização de seus terminais, a região pode se tornar um hub estratégico para a cadeia do petróleo, atraindo bases operacionais e gerando empregos locais. Além disso, a região de Santarém, com seus projetos de bioeconomia e manejo florestal, pode integrar produtos sustentáveis à cadeia petrolífera, como insumos biodegradáveis para o setor offshore, fortalecendo pequenos produtores e promovendo inovação.

Outro destaque é o polo metalmecânico de Ananindeua e Belém, que já atende setores como mineração e gás e possui potencial para adaptar sua capacidade produtiva às demandas específicas da indústria petrolífera. A qualificação profissional, por meio de programas como os oferecidos pelo SENAI, pode ser direcionada para atender às necessidades técnicas do setor, ampliando a sofisticação tecnológica das empresas locais. Paralelamente, o Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, em Belém, pode atuar como um centro de inovação, desenvolvendo tecnologias ambientais e soluções para monitoramento e redução de impactos, consolidando o estado como referência em pesquisa e desenvolvimento.

Um dos maiores desafios logísticos da região, o Pedral do Lourenço, no rio Tocantins, também merece atenção. A remoção dessa formação rochosa viabilizaria a navegação plena no rio, permitindo o transporte eficiente de grandes cargas durante todo o ano. Isso reduziria custos logísticos e transformaria Marabá em um polo multimodal estratégico, conectando ferrovia, hidrovia e rodovias. Além disso, a região poderia atrair investimentos em infraestrutura, como centros de manutenção e estaleiros fluviais, fortalecendo a cadeia do petróleo e criando novas oportunidades econômicas.

A convergência entre políticas de conteúdo local, inovação tecnológica e qualificação de mão de obra oferece ao Pará um caminho promissor para transformar os ganhos da exploração petrolífera em desenvolvimento sustentável. Ao integrar essas cadeias produtivas e maximizar o uso de fornecedores locais, o estado pode consolidar um modelo de crescimento que alia progresso econômico e preservação ambiental, posicionando-se como um exemplo global de equilíbrio entre desenvolvimento e sustentabilidade.

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